Por que jamais fiz bom uso do tempo, nada jamais deu completamente certo. A incompletude da felicidade, da certeza e do sentimento nunca me abandonaram; nunca fui totalmente presa ao momento, ao segundo do toque, à leve oscilação das respirações. Sempre pairei solta e (não totalmente) livre em uma realidade paralela presa à mim mesma, acorrentada a velhas e novas dúvidas por dentro, enquanto por fora nunca me ative a correntes reais ou imaginárias. A variação dos segundos atuais nunca me pareceu tão importante quanto os próximos; demonstrar o agora nunca me pareceu a decisão certa a tomar - o que castiga e me prende a mim mesma é o vazio que o tempo me devolve sempre que sinto que estou livre da rigidez do agora…
Fernanda K. Ortolan
Enfim, é o conjunto que importa. O que vou fazer então? Mesmo que algum dia alguém me olhe e enxergue em mim um copo meio cheio, eu sei que a porção que carrego não dá nem pra mim, que dirá dividi-la com outra pessoa. Quem se sujeitar a ficar comigo morrerá de sede, provavelmente.
E finalmente compreendi: meu vazio é a liberdade.
O Dia das Mães é o dia em que todos olham de verdade para tudo o que sua mãe fez e faz em sua vida, pelo seu amor imensurável e pela sua paciência, alegria e dedicação. O meu voto vai para que todos os dias sejam como hoje, que todos os dias os filhos olhem para suas mães pensando em tudo que elas sacrificaram por eles e em tudo o que elas os incentivaram. Nada se equipara à sorte de se ter uma mãe, de se ter aquele colo em dias manhosos e tristes, de se ter aquele abraço e aquelas palavras de consolo que curam tudo. Mãe é uma joia preciosa, uma estrela guia - é uma das poucas pessoas em que sempre poderemos confiar tudo sem ter medo de perder nada.
Fernanda K. Ortolan
O que me tortura não são as certezas, mas sim o não saber. Gosto do certo, do programado, do confortável, do que não me corrói nem me rasga de dentro pra fora. Se é não, que seja não sempre, não quero um sim temporário! Quero verdades que não se metamorfosem com o passar do tempo, quero transparência de forma integral e quero uma confiança palpável. Meias-verdades não me apetecem e, entre ter meia verdade e não ter nada, sempre soube lidar muito bem com o nada.
Fernanda K. Ortolan
Chega um momento em que você cansa do ameno, do vazio, do oco, do que não te destrói nem te constrói de dentro pra fora, do opaco e da incerteza. As piores coisas não são os venenos imediatos, mas sim a corrosão lenta, do tipo que arranha e leva tudo a ruínas sem precisar explodir nada. O que destrói são as coisas que chegam sorrateiramente, se esticando pelas rachaduras e rasgam os sentidos, desgastam os bloqueios e invertem verdades e mentiras como se só pra te ver sofrer, pra te ver cair, pra te ver sangrar. Às vezes, nós estamos quebrados e não sabemos até que a queda seja inevitável.
Fernanda K. Ortolan
Enquanto as cores da noite tingem o céu de melancolia e revolta, revolução maior ocorre em minhas entranhas. A tênue linha do horizonte e do tempo embaça meus sentidos e meus olhos, como janelas de vidro que transbordam e sangram. Talvez impulsos momentâneos não bastem, talvez o mundo me engane nessa minha visão mal estruturada e mal calculada, talvez eu não aprenda nem pelo amor, nem pela dor, talvez essa ânsia de acertar só me leve ao erro, ao fundo, para baixo, para o nada - talvez nada baste, nem eu, nem o que me tange. Talvez ser assim seja ser nada.
Fernanda K. Ortolan
Preciso de um sopro de renovação, de um ar de liberdade, de garras que me prendam ao céu, de abraços de suaves braços de ferro e de dias menos escuros. Quero uma paz que me domine e uma guerra que tente dominar; quero algo que me faça sentir eu mesma fora de minha zona de conforto.
Fernanda K. Ortolan
-Que tal um beijo, Saumensch?
Ficou parado mais alguns instantes, com água pela cintura, antes de sair do rio e lhe entregar o livro. Tinha as calças grudadas no corpo e não parou de andar. Na verdade, acho que ele sentiu medo. Rudy Steiner ficou com medo do beijo da menina que roubava livros. Devia ter ansiado muito por ele. Devia amá-la com uma intensidade incrível. Tanto que nunca mais tornaria a lhe pedir seus lábios, e iria para sua sepultura sem eles.
— Markus Suzak - A menina que roubava livros